Chego todos os dias do trabalho, e ao contrário da música do Roberto Carlos, que eternizou o "meu cachorro me sorriu latindo", sou recepcionada por pelo menos de quatro a seis rabinhos em pé e balançando de um lado para outro.Junto vem aquele som tão peculiar que ecoa durante quase todo o dia na minha casa: miau. Eles dominam o pedaço e já somam 18 pequenos felinos no censo oficial, mas há pelo menos mais quatro que passam para falar um "oi" de duas a três vezes ao dia. São de vizinhos, mas acabam sendo acolhidos para fazerem as refeições.
São espertos esses meninos e meninas aqui de casa. Sabem que vou chegar cheia de saudades e se aproveitam do meu grande coração para exigir colo, atenção e comida. Ah, sim. Eles não dispensam um bocadinho de ração ou uma guloseima mais apetitosa (carne, frango ou pedaços ao molho).
Deixo a bolsa no quarto e logo estou rodeada de olhinhos atentos aos meus movimentos, e esperançosos de que eu não esqueça de fazer um agradinho. Nunca os decepciono. Cansada, irritada, de TPM, chateada com a vida, não importa o meu estado de espirito, vou até a cozinha e saio distribuindo um pequeno lanche da noite antes que se deitem.
Os meus felinos são comportados. Castrados, eles e elas preferem um bom cantinho quente à rua e seus perigos. Isso não significa que não dêem uma escapadinha na noite para tomar um ar fresco e, lógico, passearem sem rumo pelos muros à luz da Lua.
Saber que irei encontrá-los todos os dias quando retorno à minha casa é sempre um prazer e um alento. Lembro que estarão me esperando com suas patinhas gordinhas; o caminhar cheio de trejeitos; os olhos ligados em cada movimento; aquele deslizar do rabo pelas minhas pernas e ansiosos por um pouco de carinho.
Criei este blog para compartilhar com as pessoas que gostam de animais o dia a dia ao lado dos pequenos e grandes amigos que fazem a vida ficar mais divertida. Meus amores felinos são arteiros. Dão um trabalho danado. Mas sem eles a minha vida teria outros contornos.
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