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| O beijo da vida |
No domingo de Páscoa, levantei cedo e fui dar uma espiada nos gatinhos que corriam contentes pelo quintal de casa. Meu lar é grande e não falta espaço para que os mimos brinquem entre plantas, flores, mato, borboletas e abelhas.
Por falar nas abelhas, fiquei encantada com o balé que dezenas delas faziam ao ir de uma flor a outra pelo quintal em busca de néctar. O zumbido delas me impressionou. O som era forte e se misturava com o barulho dos pássaros que teimavam em assistir a tudo “sentados” nos fios da rede elétrica.
Espertos, eles pouco se arriscavam em voar pelo quintal de casa. Os coitados sabiam que seriam presas fáceis para os gatinhos. Os felinos são matreiros e têm uma paciência imensa para esperar a caça. Os mimos ficam quietos em meio às folhagens e árvores.
Os pássaros mais frágeis que caem dos ninhos ou os que desafiam os gatos acabam virando brinquedos nas garras deles. Cansei de tentar salvar pardais e até quero-quero que, por azar, terminaram alvos dos felinos. Uns sobreviveram, outros não tiveram a mesma sorte.
Outras que sofrem com os gatos são as borboletas. A Sammya e o Rodolfinho passam o dia no quintal atrás delas. Sempre fico de olho nos dois para evitar uma matança sem precedentes das lindas e coloridas borboletas. Atraídas pelas flores, elas são presas fáceis para os mimos.
Quanto às abelhas, eles sabem do perigo que correm e, geralmente, as deixam tranqüilas passearem pelas flores. Vi no domingo que a vida delas corre menos perigo com os gatos que a de outros seres como os passarinhos e as borboletas.
Mas, se elas escapam dos mimos, as pobres tem um outro predador bem mais perigoso: as aranhas. As criaturas monstras estão espalhadas por todo quintal. Há inúmeras teias emolduradas entre os galhos das plantas.
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| A face da morte |
Os tecidos finos, quase transparentes, escondem articuladas assassinas. Elas ficam imóveis durante horas só esperando o vacilo de uma abelha ou pequeno mosquito, que desavisado fique preso na teia.
A rapidez que as aranhas matam e envolvem as vítimas é impressionante. Poucos segundos depois de ficar preso na armadilha, o inseto ganha sua mortalha branca que servirá para conservá-lo até ser o banquete da aranha.
Pelo quintal várias teias guardavam o cenário da morte. Pequenos pontos brancos nos finos tecidos eram sinal que mais uma vítima jazia naquele local. Bem ao lado, as flores se iluminavam com o balé de vida das abelhas que dançavam freneticamente.
Um pequeno descuido e o beijo nas flores daria lugar ao derradeiro destino de todas as criaturas na Terra: voltar a ser pó. No caso das abelhas, virar comida de aranha.